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Morro de São Paulo: Explorando 6 Construções Históricas

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Morro de São Paulo guarda séculos de história em suas construções, do Portaló ao Farol. Neste guia, você conhece seis delas: Portaló, Casarão, Fortaleza, Fonte Grande, Igreja de Nossa Senhora da Luz e Farol. As informações vêm de fontes oficiais, de documentos da época e da sinalização do local.

Origem do Nome do Morro de São Paulo

Quando os europeus chegaram, a região era habitada pelos povos originários Tupinambás. Em 24 de março de 1531, a expedição de Martim Afonso de Sousa avistou a foz do rio de Tinharé, segundo o diário de Pero Lopes de Sousa. A região viria a fazer parte da Capitania de Ilhéus, uma das divisões da costa brasileira estabelecidas pelo rei português Dom João III como parte do sistema de colonização do Brasil no século XVI.

Presume-se que o nome venha da expedição do castelhano Francisco Romero, designado por Jorge de Figueiredo Correia, donatário da Capitania de Ilhéus desde 1534, para ocupar e colonizar a região. O foral foi assinado em março de 1535 e, somados o preparo da expedição e cerca de dois meses de viagem, Campos calcula que Romero não teria chegado antes do fim de setembro ou do começo de outubro de 1535. Como os navegantes costumavam batizar os lugares com o santo do dia da chegada, o historiador João da Silva Campos considera mais provável o dia 25 de janeiro de 1536, Dia da Conversão de São Paulo, e adverte que se trata de suposição, pois não se sabe quando o nome passou a constar nos mapas e roteiros.

Morro de São Paulo se tornou a sede da Capitania de Ilhéus e foi o primeiro povoado da capitania. Posteriormente, a sede foi transferida para outro local, mas o nome Morro de São Paulo permaneceu.

Construções Históricas em Morro de São Paulo

Portaló do Morro de São Paulo

O Portaló é a grande portada de alvenaria, com vão em arco, que dá entrada ao recinto fortificado. O nome vem do vocabulário náutico, onde designa a abertura no costado do navio. No frontão voltado para fora está o brasão colorido do Brasil Império.

Para quem chega à ilha, o Portaló é a primeira construção histórica pela qual se passa: atravessa-se o Portaló e sobe-se para a vila. Quem está na vila e quer ir ao forte desce a ladeira da chegada até o Portaló e segue a pé, acompanhando a muralha, passando pela primeira cortina, pela Bateria de Nossa Senhora da Conceição, onde há canhões, e pela segunda cortina até chegar ao forte.

Segundo a sinalização da Fortaleza, a cortina de muralha, com 678 metros à margem do canal, foi construída a partir de 1728, por ordem do Conde de Sabugosa. Uma inscrição no Portaló registra que, em 1863, sob o reinado de Dom Pedro II, a Fortaleza foi reconstruída.

O Casarão do Morro de São Paulo

O Casarão é um sobrado do período colonial. Segundo o próprio Casarão, foi construído entre 1608 e 1616 pela família Saraiva. Hoje, restaurado, funciona como pousada e restaurante.

Fortaleza do Morro de São Paulo

A Fortaleza do Morro de São Paulo, também conhecida como Forte do Morro de São Paulo, Forte de São Paulo ou Fortaleza do Tapirandu, foi tombada pelo IPHAN em 24 de maio de 1938 (processo 155-T-1938), com inscrição nos Livros do Tombo Histórico (nº 46) e das Belas Artes (nº 91).

Segundo a sinalização do local, as obras do Forte Velho, ou Bateria de Nossa Senhora da Conceição, começaram em 1630, por ordem do governador Diogo Luís de Oliveira. O historiador João da Silva Campos situa o início da construção em 1631, depois da visita do governador à ilha em 1630. Uma provisão desse governador, de 10 de setembro de 1631, que nomeava um almoxarife para a Fortaleza, explica o motivo da obra: havia aviso de que os holandeses pretendiam se instalar no Morro, e o governador mandou fortificá-lo antes que o inimigo o ocupasse. Entre 1728 e 1732, o Conde de Sabugosa mandou ampliar a Fortaleza. Em 1823, durante a Independência da Bahia, Lord Cochrane estabeleceu ali a base da primeira esquadra nacional.

Mapa de 1725 de Miguel Pereira da Costa com o Morro de São Paulo visto de cima, a fileira de casas da vila e as muralhas das fortificações
Planta das fortificações do Morro de São Paulo, de Miguel Pereira da Costa, c. 1725 (Arquivo Histórico Ultramarino)
Ver a legenda da planta, letra por letra

Legenda baseada no catálogo do Arquivo Histórico Ultramarino, com linguagem adaptada ao leitor de hoje.

A planta é aquarelada, nas cores verde, azul, marrom, vermelho e amarelo.

Miguel Pereira da Costa detalha a fortificação. Na planta, está escrito:

A – Entrada da Barra.
B – Baluartinho plano com sete peças de artilharia montadas; como a área é pequena, elas não podem funcionar ao mesmo tempo.
C – Corpo da guarda e casa do capitão.
D – Lanço de muralha com sete peças de artilharia que giram sobre o terreno, para a defesa do porto.
E – Portaló (no catálogo, “Portalô”), oposto ao local onde surgem (ancoram) os barcos.
F – Subida feita em degraus no terreno.
G – Porção de muralha da fortificação, feita há 20 anos (na época da planta), ainda imperfeita e sem terrapleno (a plataforma no alto da muralha onde ficam os canhões).
H – Bateria a dois terços da subida do monte, com cinco peças de artilharia que giram sobre a terra, a uma altura de 200 palmos (cerca de 44 m) em relação à praia. Neste nível, que é o mesmo da muralha G, corre ao redor do monte (no original, “arroado monte”) uma mesma [linha] no terreno, na qual queriam, naquele tempo, fazer parapeito em toda a sua extensão para cingir (cercar) o monte, e, a certas distâncias, algumas baterias, como I, na ponta da tromba. Mas a experiência mostra a pouca solidez do terreno, que vem se arruinando muito nos últimos anos.
I – Bateria na ponta da tromba (citada em H), no local onde hoje fica o Forte da Ponta.
L – Casa que serve de armazém da pólvora.
M – Capela de Nossa Senhora da Luz, no mais alto monte.
N – Casa do capelão do presídio (guarnição militar, não prisão).
O – Bateria tão incapaz (inadequada) quanto as demais.
P – Ilhote do Caetá (hoje, Ilha do Caitá), “sobreaguado de preamar” no original, ou seja, acima da água na maré cheia.
Q – Pequeno porto (ancoradouro) onde entra o riacho de água doce, no local da atual Primeira Praia.
R – Casas em que moram os soldados do presídio.
S – Bateria nova proposta, a ser feita na ponta e entrada da Barra, que defende inteiramente o canal.
T – Parte dos baixios (baixos) do lado da terra firme.

Dom Pedro II a visitou em 1859, durante viagem pelo Nordeste com a imperatriz Teresa Cristina, e a encontrou desmantelada: segundo ele, havia poucas peças aproveitáveis e o mar já havia derrubado parte da muralha. Foi reconstruída em 1863 e reaberta em janeiro de 2018, após requalificação. Em 2019, o IPAC anunciou o tombamento provisório do perímetro do farol, da gameleira, do Portaló, da praça, da igreja e da própria Fortaleza.

Fonte Grande do Morro de São Paulo

Segundo a inscrição na própria fonte, o vice-rei Conde das Galveias mandou fazer a obra em 1746. Dom Pedro II, que a visitou em 1859, transcreveu a inscrição em seu diário com a data de 1743 e a descreveu como uma fonte pública de três bicas. A água servia aos soldados do forte e aos moradores da vila.

Igreja Nossa Senhora da Luz

Segundo a sinalização da Fortaleza, a capela primitiva foi erguida no alto do morro, no início do século XVII, por iniciativa de um membro da família Saraiva. A igreja atual foi construída mais abaixo, no pé do morro, entre o fim do século XVIII e o começo do XIX, e a data de 1845 está registrada na fachada. Em 1859, Dom Pedro II a visitou e anotou a irmandade da santa e um ex-voto de navegantes na sacristia.

No piso da igreja há lápides de moradores da vila; as inscrições que ainda se leem são do início do século XX. Uma pequena porta de vidro, ao lado direito do altar, mostra uma arcada dentária encontrada durante uma restauração; a história completa está em Mistérios e Curiosidades. A igreja foi alvo de um furto registrado: em 1782, o ouvidor encontrou vazio o cofre da igrejinha, esvaziado, segundo o historiador João da Silva Campos, pelo capitão-mor Antonio Caldas. Durante o restauro da Fortaleza, foram achados fragmentos de cantaria que, segundo a sinalização, teriam pertencido ao frontão da capela primitiva.

Durante obras atrás da igreja, os construtores encontraram materiais arqueológicos, e uma equipe de arqueologia foi chamada ao local. O programa de resgate já realizava ações educativas em setembro de 2021, e a coleção foi apresentada em exposição em abril de 2022. Acompanhe a igreja no Instagram.

Fragmentos de cerâmica encontrados em Morro de São Paulo, com tigelas, uma caneca e bordas de potes dispostos sobre fundo transparente
Peças do sítio Casa Verde, recuperadas pela equipe @arqueologos e apresentadas na exposição Arqueologia em Morro de São Paulo (2022)

Farol do Morro de São Paulo

Farol do Morro de São Paulo, inaugurado em 1855

Morro de São Paulo: Os 11 Itens Essenciais para uma Viagem Inesquecível

O Farol foi inaugurado em 1855, segundo a placa da Marinha do Brasil instalada no local. A obra foi do engenheiro Monteiro Carson, da Fábrica Todos os Santos, de Valença, segundo a sinalização da Fortaleza e o diário de Dom Pedro II. Hoje é um sinal de auxílio à navegação operado pela Marinha, com 26 metros de altura, 89 metros de altitude e luz branca que alcança 23 milhas náuticas.

A ideia de um farol no Morro é bem anterior. Em 18 de julho de 1740, uma carta régia mandou o vice-rei, Conde das Galveias, construir um farol no alto do Morro, a pedido do capitão da Fortaleza, com a despesa paga pela Fazenda real. O objetivo era que os navegantes encontrassem a enseada sem o risco de se perderem, como já havia acontecido muitas vezes. O farol atual, porém, é o inaugurado em 1855.

Carta régia de 1740 mandando construir um farol no Morro de São Paulo
Carta régia de 18 de julho de 1740 ao Conde das Galveias, mandando construir um farol no Morro de São Paulo (Biblioteca Nacional, Divisão de Manuscritos, II-33,27,66)

Em 1859, Dom Pedro II visitou o farol e anotou em seu diário:

A torre deste tem 74 pés de altura e sobe-se por 74 degraus de pedra e 4 de madeira e depois por dois lanços com 33 degraus de madeira e 1 de pedra a varanda que rodeia a lanterna, de onde se goza de excelente vista […]. Há 9 degraus de ferro dentro da lanterna para chegar ao aparelho do farol, que é do sistema Fresnel, e do fabricante Henry Lepante, Paris. […] É intermitente e a revolução de 12 minutos. Consome 124 camadas de azeite por três meses sendo doce, de mamona purificada, ou de coco; serve-se agora de doce […].

Autoria da citação: Dom Pedro II, diário, 5 de outubro de 1859

Segundo a linha do tempo exposta na igreja, a Marinha instalou ali uma estação de radiotelegrafia em 1943. Em 2024, a Marinha fez a manutenção completa da torre (leia a matéria).

Como Visitar as Construções Históricas

  • Portaló: fica na entrada do morro e faz parte do caminho de quem chega à ilha. Dele parte a caminhada até o forte.
  • Fortaleza: atualmente, a visita interna não está disponível. Do lado de fora, dá para ver a muralha, e o acesso à área externa é gratuito. O local é um dos melhores pontos para o pôr do sol (10 experiências inesquecíveis). Quando a visita interna reabrir, publicaremos os horários.
  • Igreja de Nossa Senhora da Luz: a entrada é gratuita e costuma estar aberta das 6h às 22h. Dentro há uma linha do tempo com a história da ilha. Segundo a igreja, a missa é no segundo e no último sábado do mês, às 19h30; nos outros sábados há celebração da Eucaristia.
  • Fonte Grande: fica em área externa e pode ser vista a qualquer hora.
  • Farol: não se sobe na torre. A visita é externa e de dia, porque não há iluminação no caminho. Perto dele fica a Bateria do Zimbeiro, o mirante da tirolesa, onde parte da estrutura desabou em maio de 2024 (saiba mais). Há também o mirante do farol, de madeira, onde fica o corno feliz (10 experiências inesquecíveis). Tenha cuidado na Bateria do Zimbeiro.

Morro de São Paulo Hoje

Algumas décadas atrás, pequenas casas de pescadores foram construídas e os moradores locais contam que a subsistência era baseada principalmente na pesca. Morro de São Paulo era um pequeno vilarejo onde não havia telefone nem luz elétrica. Segundo os moradores mais antigos, a eletricidade chegou à ilha somente em 1985!

Nos anos 70, quando os primeiros visitantes de verão surgiram, a pacata vila não imaginava o que estava por vir. Os visitantes de verão, que alugavam as casas dos pescadores, começaram a construir suas próprias casas de temporada. E quando mochileiros e hippies descobriram o local, espalharam através de seus relatos a beleza e o encantamento pela charmosa ilha. Então, os turistas chegaram e as casas do pequeno vilarejo se transformaram em hotéis, pousadas e restaurantes.

Atualmente, Morro de São Paulo é um destino que atrai tanto estrangeiros quanto pessoas de todas as regiões do Brasil, resultando em uma comunidade multicultural que enriquece o lugar com uma diversidade incrível de arte, cultura e gastronomia. Com essa fusão de influências, Morro de São Paulo encanta seus visitantes ao entrelaçar de forma harmoniosa seu passado histórico com a vibrante energia do presente, proporcionando uma experiência verdadeiramente enriquecedora e fascinante.

Fontes: Pero Lopes de Sousa, Diário da Navegação da Armada que foi à Terra do Brasil (expedição de Martim Afonso de Sousa, 1530–1532), ed. Varnhagen, Rio de Janeiro, 1847, registro de 24 de março de 1531; Arquivo Histórico Ultramarino, planta das fortificações do Morro de São Paulo, c. 1725 (AHU_CARTm_005, D. 0963), e ofício de 8/1/1725 (AHU_ACL_CU_005, Cx. 20, D. 1822); diário de Dom Pedro II, entrada de 5/10/1859 (Museu Imperial); Cartas a Suas Majestades (Arquivo Nacional, 1977); João da Silva Campos, Crônica da Capitania de São Jorge dos Ilhéus (1936); Oliveira (2011), “A defesa da Baía de Todos os Santos”, em Baía de Todos os Santos: aspectos humanos (EDUFBA), pp. 188–199, que transcreve a provisão de 10/09/1631; carta régia ao Conde das Galveias, Lisboa, 18/07/1740 (Biblioteca Nacional, Divisão de Manuscritos, II-33,27,66); IPHAN (ficha da Fortaleza do Morro de São Paulo, processo 155-T-1938); Marinha do Brasil (placa do farol); sinalização da Fortaleza (Bahia Turismo e placa de aço de 2023); inscrições do Portaló e da Fonte Grande; informações do próprio Casarão; informações e linha do tempo (2012) expostas na Igreja de Nossa Senhora da Luz; exposição “Arqueologia em Morro de São Paulo” (@arqueologos, abril de 2022); Correio, “Construções históricas de Morro de São Paulo serão tombadas”, 20/09/2019.

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